MAGAZINELUIZA

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

CARTA À IGREJA DE LAODICÉIA

“Ao anjo da Igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas, o princípio da criação de Deus. Conheço as tuas obras , que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente. Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca. Pois dizes: Estou rico e abastardo e não preciso de coisa alguma, nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifestada a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou á porta e bato (falo); se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz ás igrejas” (Ap 3.14-21).
Nome de uma cidade que antes se chamava Dióspolis, cidade de Zeus, melhorada e ampliada por Antíoco II, que lhe pôs o nome em honra de sua mulher Laodice. Era cidade principal da Frígida Pacatiana da Ásia Menor, e estava situada um pouco ao sul de colossos. Estava a 160 Km de Éfeso, e 80 Km de Filadélfia.
Uma das cidades mais ricas da Ásia; Possuía fábrica de panos e de vestuários de lã escura, produto de ovelhas criadas nas suas vizinhanças.
Tinha uma escola de medicina onde se produzia um ungüento que cura os problemas dos olhos.
Pelo ano 65 da era cristã, Laodicéia foi destruída por um terremoto. Os habitantes de Laodicéia reconstruíram a cidade á sua custa, sem auxílio do governo romano.
I. O princípio da criação (v. 14): Refere-se a Jesus: “No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1.1-2).
II. Conheço as tuas obras (v. 15): O homem jamais consegue esconder-se do olhar de Deus. Diz o Salmo 139.7-8 “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a mina cama no mais profundo abismo, lá estás também”.
Deus vê todas as coisas e sabes todas as coisas que praticamos. Não temos como escondê-lo.
III. Nem és frio, nem quente (v. 15): Refere-se aquelas pessoas que vem a igreja, mas não querem compromisso e nem responsabilidade com o Reino de Deus. Eles acham que estando dentro de uma igreja é o suficiente, ou seja, eles acham que a igreja lhe garante a salvação.
IV. Vomitar-te (v. 16): Perto de Laodicéia havias fontes de água mineral morna e emétrica, que o viajante sedento rejeitaria com nojo (ânsia de vomito). Este é o desgosto que Cristo sente para com uma igreja espiritual morna. Qualquer outra condição espiritual seria mais promissora.
V. Estou rico (v. 17): Esta igreja era cristã, mas havia se corrompido através das riquezas.
A igreja local da cidade era rica, acomodada e prevalecente da soberba e das riquezas.
A cidade era prospera o povo era rico materialmente, não tinha falta de nada. Havia industria, e um centro bancário, mas Jesus diz: “Não sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”.
O orgulho de Laodicéia através de suas riquezas (seu centro bancário, seus oftalmos seus colírios, sua fabricas de tecidos) serviram para dar visão e decadência espiritual. Jesus não está condenando as riquezas, mas o orgulho e o amor pelas riquezas materiais.
A igreja de Laodicéia precisava desesperadamente da graça que regenera, das vestes da justiça de Cristo e de olhos do coração iluminados pelo Espírito Santo.
VI. Ouro refinado pelo fogo (v. 18): Simboliza a verdadeira riqueza celestial, sem mácula (pecado); representa a verdadeira santidade (a separação do mal).
Simboliza a nossa vida limpa pelo fogo da Palavra de Deus.
VII. Colírio para ungires os olhos (v. 18): A cidade tinha os melhores oftalmo do mundo, os melhores colírios, mas Jesus aconselha que compres colírio para ungires os olhos. Tinham o colírio material, mas não tinha unção do Espírito Santo. Sem está unção o cristão não vê espiritualmente se não só materialmente.
Jesus refere-se ao colírio espiritual para que o homem veja a verdade. Jo 8.32, 36 “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. 36 Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. Quando o povo não conhece a verdade está cego, nu e desgraçada. Anda em caminhos errantes.
Tinham um centro bancário, mas Jesus chama de pobres.
Tinham as melhores roupas, mas Jesus chama de nu.
Tinham os melhores colírios, mas Jesus chama de cegos.
Tinham tudo, mas Jesus chama de infeliz e miseráveis.
VIII. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te (v. 19).
Cristo chama atenção desta igreja ao arrependimento. E para que isto aconteça, Ele disciplina, ensina, aconselha, fala, para que todos venham ao arrependimento.
IX. Eis que estou a porta e Falo (v. 20).
A Palavra “fala” no gr. é Lego – Eu digo, eu falo). Aqui Jesus demonstra o profundo amor que Ele tem pelos Seus filhos. Ele está em nossos corações todos os dias a falar. Ele fala de muitas maneiras conosco; através de Sua Palavra, através de sonhos e revelações; e muitas vezes Ele usa alguém para falar conosco.
Na igreja de Laodicéia Cristo estava para o lado de fora. Por causa do orgulho o Senhor se retirou. Ele habita na humildade, por que Ele é humilde.
Aqueles que estão com a porta fechada podem abrir e desfrutar de uma intima compaixão com o Senhor. O fato de Ele esperar pela abertura da porta mostra o paradoxo da graça e responsabilidade pessoal.
Aquele que ouvir a voz do mestre e abrir o seu coração, então Ele entra para cear e para morar. O nosso corpo é o templo do Espírito Santo, e quando abrimos o nosso coração, Ele habita em nós (faz morada) e somos ricamente abençoados por Ele, nesta vida e na vida eterna.
X. Vencedores (v. 21).
São aqueles que ouviram sua voz e abriram seus corações, ou seja, obedeceram Sua Palavra e cumpriram Seus ensinamentos. Para esses Ele diz: “... dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono”.
XI. Ouça o que o Espírito diz ás igrejas (22).
Ouça e não te faças de surdo escute a voz terna de Jesus e abra o seu coração para que Ele faça morada. Escute ouça o que o “Espírito diz as igrejas”.
Pr. Elias Ribas
Igreja Evangeléica Assembléia de Deus
www.pastoreliasribas.blogspot.com

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A LEI DA SEMEADURA

A preocupação de Paulo neste capítulo é a reação que os irmãos devem ter para com os que cometem pecado. Após os ensinamentos nos capítulos anteriores, espera-se que o Amor prevaleça sobre toda e qualquer atitude humana que queiramos praticar.


I. LEVAR AS CARGAS UNS DOS OUTRO

“Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado. Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo. Porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana. Mas prove cada um o seu labor e, então, terá motivo de gloriar-se unicamente em si e não em outro. Porque cada um levará o seu próprio fardo. Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as coisas boas aquele que o instrui. Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl 6.1-10).
Os ensinamentos falsos eram uma preocupação do apóstolo que a todos combateu com a autoridade dada por Cristo. Esses ensinamentos estavam causando divisões entre os gálatas. Havia ataques mútuos (5.15). Isso impedia os irmãos de trabalharem mutuamente pelo Evangelho e superar as batalhas espirituais. Se um irmão cair em pecado, o outro, que anda no Espírito, deve corrigi-lo (em Amor) (6.1). O pecado gera culpa, então precisamos levar o fardo de quem está assim (6.2) e cumprir a Lei de Cristo (Jo 13.24 e 14.12), que depende toda lei (Mt 22.36-40).
O carnal não ajuda seu irmão, pelo contrário, procura apresentar-se perante o caído com superioridade (6.3). Mas tal visão é errônea porque cada um será julgado individualmente de acordo com a sua conduta (6.4-5; 2ª Co 5.10). A responsabilidade daquele que recebe instrução é participar com boas notícias sobre o seu bom proceder àquele que lhe deu instrução (6.6). Não há lugar para superioridade entre os irmãos porque a mesma lei será usada para ambos pois “aquilo que o homem semear, aquilo também ceifará” (6.7). Paulo convoca os cristãos a produzir o Fruto do Espírito que são nove (5.22-23). Ele sabe que o que a carne semear, vai se tornar pecado ou fruto da carne (5-19-20), aqui designado de corrupção (6-8). O cristão que pratica o bem não se cansa (6.9) porque Deus renova as nossas forças (Is 40.31). Deus vai criar muitas oportunidades para o cristão fazer o bem e Ele não quer que qualquer oportunidade criada por Ele seja desperdiçada (6.10) principalmente para os que fazem parte do Corpo de Cristo.

II. GLORIAR-SE NA CRUZ DE CRISTO

“Vede com que letras grandes vos escrevi de meu próprio punho.Todos os que querem ostentar-se na carne, esses vos constrangem a vos circuncidardes, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne. Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu, para o mundo. Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura. E, a todos quantos andarem conforme esta regra, paz e misericórdia sobre eles e sobre o Israel de Deus. Desde agora, ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito. Amém!” (Gl 6.11-18).
Paulo quer chamar a atenção para os assuntos abordados: “Vede com que letras grandes vos escrevi” (6.11). Esses assuntos são de extrema importância. Explica que os que estavam defendendo a circuncisão para a salvação e outras práticas do Velho Testamento, conhecidas por Galacionismo, não estavam interessados em ajudar as pessoas ensinadas por Paulo, mas apenas em causar divisão e confusão. Os “Falsos Irmãos” queriam evitar a perseguição por parte dos judeus (6.11-12). O próprio Cristo já havia alertado que o Cristianismo traria divisão e ódio: “Sereis odiados de todos por causa do Meu nome; aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 10.22).
Eles se gloriavam na carne, com um sinal que era visível e não na “cruz de Cristo” (6.13-14). Paulo continuava firme e confiante na Cruz de Cristo, que apesar da perseguição, era a descrição mais completa da alegria que o homem poderia almejar: vida eterna. Paulo vê a pobreza espiritual dos circuncisos, pois havia a segunda parte do ritual: Cumprir todos os mandamentos da Lei (6.13). A Cruz era completa, a Cruz enxergada pelos espirituais não era fardo algum, os conduzia, pelo Espírito Santo, a produzir os seus nove sabores. Paulo estava crucificado para o mundo (6.14) e não iria voltar a praticar tais absurdos em nome de uma religião fria e incompleta. Pedro diz aos que voltam ao mundo o seguinte: “O cão voltou ao seu próprio vômito e a porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal” (2ª Pe 2.22).
O verdadeiro convertido vem, não por meios carnais, e sim pela circuncisão do coração, para se tornar uma nova criatura (6.15). Paulo demonstra estar habituado a ver irmãos que querem deturpar as suas epístolas (6.16). Seus ensinamentos, que foram outorgados por Cristo, não seriam interrompidos por um grupo que caminhava para a sua própria destruição (6.16). Não havia mais nada a falar. Todos estavam, de antemão, alertados sobre os “Falsos Irmãos”. Necessária seria muita atenção para que ninguém caísse como os tais insubordinados (6.17). Por fim, o apóstolo deixa evidente que há muito a andar e crescer na presença de Cristo, Graça e Conhecimento eram aspectos inesgotáveis (6.18). Aquilo que os judaizantes evitavam, para Paulo era uma glória: “gloriar-me, senão na cruz do nosso Senhor Jesus Cristo” (6.14). Glórias a Cristo eras esperadas dos que realmente viessem a compreender o conteúdo dessa epístola, e como ele, gloriarem-se na cruz de Cristo.
Tanto nos tempos de Paulo e como agora, um dos problemas mais sérios que afeta a igreja é o legalismo, que arrebata o gozo do Senhor da vida do crente e com o gozo se vai o verdadeiro poder para adorar a Deus “em espírito e em verdade”.
O legalismo é uma atitude carnal que se conforma a um código, com o propósito de exaltar a pessoa, ou seja, exaltar a si mesmo e ganhar méritos, ao invés de glorificar a Deus pelo que Ele tem feito; e o poder é a carne, não o espírito, que produz resultados externos somente similares à verdadeira santidade. Os resultados são, na melhor das hipóteses, falsificações e não podem jamais aproximar a santificação genuína, por motivo da atitude carnal e legalista.
Entre os fariseus convertidos na igreja de Jerusalém, houve os que insistiram na submissão da lei para se salvarem. Eram os “zelosos da lei mosaica” (cf. At 21.20) ou judaizastes. Mas Paulo que era comprometido com o evangelho de Jesus não podia aceitar a mistura no cristianismo.
A Bíblia, particularmente o Novo Testamento, não é a Verdade para os seguidores da lei, porque se dizem cristãos? Seria melhor e mais coerente declararem-se prosélitos do judaísmo e partidários da seita dos fariseus, porque seriam muito mais claramente entendidos pelos verdadeiros cristãos.
O crente salvo tem as marcas de Cristo (2ª Co 11.23-27), que são as marcas provenientes da perseguição em contraste com a marca da circuncisão imposta pelos judeus.
“Foi alguém chamado, estando circunciso? Não desfaça a circuncisão. Foi alguém chamado, estando incircunciso? Não se faça circuncidar. A circuncisão, em si, não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar as ordenanças de Deus” (1ª Co 7.18-19).
O que importa na vida cristã é a obediência porque comprova a existência do amor e fé. Existem crentes que se apegam nas coisas físicas e carnais e esquecem-se das espirituais. Paulo diz que não é a circuncisão, e nem incircuncisão, não é um rito exterior que vai garantir a nossa salvação, mas ser uma nova criatura em Deus. Não é pela aparência exterior que julgamos se somos salvos ou não, ou porque guardamos dias, meses ou ano (Gl 4.10). Jesus mesmo ensinou seus discípulos dizendo: “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela Justiça”. (Jo 7.25). Os fariseus julgavam pelas aparências, mas Jesus nos ensinou que não é assim o verdadeiro julgamento. A justiça é as vestes do cristão salvo, o fruto do Espírito e bom caráter e separação das concupiscências carnais é que irão mostrar a diferença do cristão salvo, santo e regenerado.

Pr. Elias Ribas

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Foi justo?

Por Helmuth Matschulat
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"Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela" - Atos 2.22-24..
Certa ocasião recebi o pedido de um ilustre desembargador, já aposentado, para conversar sobre o julgamento de Cristo. Ele admitia a inocência de Jesus, mas, como profundo conhecedor do direito romano, concluiu que o julgamento não estava bem contado. Segundo ele, não seria correto o justo sofrer pelo injusto. Cada um deve arcar com as consequências de seus próprios erros. Se Pilatos, representando o Império Romano, não achou culpa em Jesus, então não poderia ser condenado. O jurista concluiu que a narrativa do Novo Testamento não estava correta..
Apresentei diversos livros sobre o assunto, mas com muita habilidade ele refutava os argumentos dos escritores, sempre defendendo que o registro bíblico não estava correto. Passaram-se meses. Um dia estudamos Romanos, carta na qual Paulo faz uma dissertação jurídica sobre a justificação e conclui que a lei não é suficiente para a salvação, mas sim a graça de Deus. Ao ler os versículos "Deus demonstra o seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores" (Romanos 5.8) e "o amor é o cumprimento da lei" (Romanos 13.10b), o desembargador disse que se rendia e aceitava o julgamento de Jesus. Depois foi mais fácil entender e aceitar o que o apóstolo Pedro registrou: "Cristo sofreu pelos pecados de uma vez por todas, o justo pelos injustos" (1 Pedro 3.18a)..
Recordei, então, a palavra que Deus fala pelo profeta Jeremias (23.29b): "Não é a minha palavra ... como um martelo que despedaça a rocha?" e também através de Paulo a Timóteo: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça" (2 Timóteo 3.16). Quando há dúvidas, procure na Palavra de Deus as respostas!.
Toda a justiça de Deus cabe dentro da sua graça, e ainda sobra espaço para a nossa restauração.
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Fonte: Pão Diário, edição 2012 (Rádio Trans Mundial) via Belverede.

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

“Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei” (Gl 5.16-18).
Quem anda no Espírito, não necessita satisfazer a concupiscência da carne. Age como um cidadão dos céus e investe no céu, não necessitando da lei (5.16). Carne e espírito são dois extremos existentes em nós e satisfazer a carne significa egoísmo, satisfazer o espírito é altruísmo (5.17). Guiar-se pelo Espírito é desfrutar da plena liberdade, é esquecer-se que há lei (5.18).
A palavra grega sarx, “carne”, tem vário significado na Bíblia, principalmente nas epístolas. Pode significar fraqueza física (Gl 4.13), o corpo, o ser humano (Rm 1.3), o pecado (v. 24), os desejos pecaminosos (Rm 8.8).
O contexto quando corretamente interpretado determina o significado da palavra. Aqui significa o conjunto de impulsos pecaminosos que dominam o homem natural. Da mesma maneira a palavra grega pneuma, “espírito” que se aplica ao Espírito Santo, espírito humano, aos anjos e aos espíritos imundos. É preciso atentar bem para o contexto da referência em apreço para verificar o sentido do termo.


I. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRAS DA CARNE


1. Pecados de ordem moral.
“Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gl 5.19-21).
A. Prostituição – a palavra grega usada é pornéia, que abrange todo o tipo de impureza sexual. Aqui estão incluídos todo tipo de pornografia, como quadros filme, produções pornográficas. Verifique ainda outros textos que apresentam a mesma expressão: (Mateus 5.32, 19.9, Atos 15.20,29, 21.25, 1ª Coríntios 5.1).
B. Impureza – a palavra grega akatharsia se refere aos pecados sexuais, atos pecaminosos, vícios e também pensamentos e desejos impuros. Outros textos que usam a mesma expressão são: Efésios 5.3, Colossenses 3.5.
C. Lascívia – é a palavra grega aselgeia, que é a sensualidade. É seguir as próprias paixões a ponto de perder a vergonha. É a porta aberta para uma vida de dissolução completa, controlada totalmente pelas paixões carnais.
2. Pecados de ordem religiosa.
A. Idolatria – do grego, eidolatria, é a adoração a espíritos, pessoas ou ídolos, ou a confiança em pessoas, instituições ou pessoas, atribuindo-lhe força e poder.
B. Feitiçarias – o termo grego é pharmakeia, que envolve a dominação de espíritos, magia negra, adoração de demônios e o uso de drogas e outros materiais, na prática da feitiçaria. Você ainda pode examinar os textos de Êx 7.11,22; 8.18; Ap 9.21; 18.23.

3. Pecados de ordem social.

A. Inimizades – a palavra grega echthra envolve intenções e ações fortemente hostis; antipatia e inimizade extremas.

B. Porfias – do grego, eris, abrange as brigas, oposição, luta por superioridade e pode ser encontrado também em Rm 1.29; 1ª Co 1.11; 3.3.

C. Emulações – no grego, zelos fala de ressentimento, inveja amargurada do sucesso dos outros. Outros textos: Rm 13.13; 1ª Co 3.3.

D. Iras – do grego, thumos é a palavra grega que significa a ira ou fúria explosiva que irrompe através de palavras e ações extremamente violentas. Veja Cl 3.8.


E. Pelejas – do grego, eritheia é a ambição egoísta e a cobiça do poder, que pode ser encontrada também em 2ª Co 12.20 e Fp 1.16,17.

F. Dissensões – do grego dichostasia, significa introduzir ensinos cismáticos na congregação sem qualquer respaldo na Palavra de Deus, como em Rm 16.17.

G. Heresias – do grego hairesis, diz respeito aos grupos divididos dentro da congregação, formando conluios egoístas que destroem a unidade da igreja Deus sempre se preocupou com a unidade do seu povo, veja 1ª Co 11.19.

H. Invejas – aqui encontramos o termo fthonos, significando a antipatia ressentida contra outra pessoa que possui algo que não temos e queremos. É a inconformidade pois “ele tem e eu não!”.

I. Homicídios – phonos é matar o próximo por perversidade. A tradução do termo phonos na Bíblia de Almeida está embutida na tradução de methe, a seguir, por tratar-se de práticas conexas.

J. Bebedices – continuando a idéia anterior, methe faz referência ao descontrole das faculdades físicas e mentais por meio de bebida embriagante.

L. Glutonarias – do grego, komos diz respeito às diversões, festas com comida e bebida de modo extravagante e desenfreado, envolvendo drogas, sexo e coisas semelhantes.

As palavras finais de Paulo sobre as obras da carne são severas e enérgicas: quem se diz crente em Jesus e participa dessas atividades iníquas exclui-se do reino de Deus, não terá salvação pois apenas se preocupou em aparentar e não em viver. Veja ainda 1ª Co 6.9.

II. OBRAS DO ESPÍRITO

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gl 5.19-23).
Agora passamos a verificar as características do Fruto do Espírito, que, diferentemente das obras da carne passa a ser apresentado como uma unidade. É O único fruto que será produzido pelo Espírito de Deus. Não existe a possibilidade de ser diferente, pois não depende do indivíduo, mas sim da ação específica do Espírito de Deus.
O fruto do Espírito é o resultado de uma vida redimida pela fé em Jesus. Não é o resultado de uma imposição religiosa ou qualquer sistema religioso legalista.
É o modo de viver íntegro e honesto que a Bíblia chama “o fruto do Espírito”. Esta maneira de viver se realiza no crente quando ele permite que o Espírito dirija e influencie sua vida de tal maneira que subjugue o poder do pecado, especialmente as obras da carne, e ande em comunhão com Deus. O Espírito Santo é quem faz essas coisas na vida do cristão. É por isso que o apóstolo diz que: “contra essas coisas não há lei (v.23). “...pelos frutos sois conhecidos” (Mateus 7.16).

O fruto do Espírito inclui:

1. Caridade (Amor) – A palavra grega ágape, nos fala de um amor que apresenta o interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca. Os textos de Romanos 5.5; 1ª Coríntios 13; Efésios 5.2 e Colossenses 3.14 ainda podem ser observados adicionalmente.

2. Gozo – Aqui temos o termo grego chara, a sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na presença de Deus, bênçãos estas que pertencem àqueles que crêem em Cristo. Leia ainda Salmo 119.16; 2ª Coríntios 6.10 e 12.9 e ainda 1ª Pedro 1.8.

3. Paz – No grego eirene, que é a quietude no coração e na mente, baseados na convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial. Pode ser ainda observada em Romanos 15.33; Filipenses 4.7; 1ª Tessalonissenses 5.23 e também Hebreus 13.20.

4. Longanimidade – O termo grego é makrothumia, que fala de perseverança e paciência, a capacidade de ser tardio para irar-se ou para o desespero. Outros textos são Efésios 4.2; 2ª Timóteo 3.10 e também Hebreus 12.1.

5. Benignidade – No grego chrestotes significa não querer magoar a ninguém, nem mesmo lhe provocar qualquer tipo de dor. Leia ainda Efésios 4.32; Colossenses 3.12 e 1ª Pedro 2.3.

6. Bondade – A palavra grega agathosune é o zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal; pode ser expressa em atos de bondade (Lucas 7.37-50) ou na repreensão e na correção do mal (Mateus 21.12,13).

7. Fé – Aqui a palavra grega pistis é convicção da verdade de algo, fé; de uma convicção ou crença que diz respeito ao relacionamento do homem com Deus e com as coisas divinas, geralmente com a idéia inclusa de confiança e fervor santo nascido da fé e unido com ela; a convicção de que Deus existe e é o criador e governador de todas as coisas, o provedor e doador da salvação eterna em Cristo; fé com a idéia predominante de confiança (ou confidência) seja em Deus ou em Cristo, surgindo da fé no mesmo; convicção ou fé forte e benvinda de que Jesus é o Messias, através do qual nós obtemos a salvação eterna no reino de Deus; é a lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade. Você pode ainda examinar Mateus 23.23; Romanos 3.3; 1ª Timóteo 6.12; 2ª Timóteo 2.2; 4.7; Tito 2.10.

8. Mansidão – No grego prautes, que é a moderação, associada à força e à coragem; descreve alguém que pode irar-se com eqüidade quando for necessário, e também humildemente submeter-se quando for preciso. Temos os exemplos de Jesus, de Paulo e de Moisés: 2ª Timóteo 2.25; 1ª Pedro 3.15; para a mansidão de Jesus, cf. Mateus 11.29 com 23; Marcos 3.5; a de Paulo, cf. 2ª Coríntios 10.1 com 10.4-6; Gálatas 1.9; a de Moisés, cf. Números 12.3 com Êxodo 32.19,20.

9. Temperança - A palavra grega egkrateia, apresenta o controle ou domínio sobre nossos próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também a pureza. Leia ainda 1ª Coríntios 7.9; Tito 1.8; 2.5.

Esse Fruto só é experimentado por quem vive LIVRE. Sujeitar-se novamente à lei é provar algo insosso, é não provar os sabores do fruto. Na verdade, esse fruto já foi explicado por Cristo em João 15.2. “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (5.25). PARODIANDO: “Se vivemos na Liberdade de Cristo, Frutifiquemos os 9 sabores do Espírito”. Por fim, Paulo nos chama a viver em humildade, respeitando e evitando invejas e facções (5.26) porque a carne já está crucificada (5.24).
“E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Gl 5.24-25).

Pr. Elias Ribas
Igreja Assembléia de Deus